Homenagem a minha grande companheira e mãe de dois pimpolhos maravilhosos!
quarta-feira, 16 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
Meu Castelo de Cartas de Baralho
Desconstrução.
Parece fácil quando “desconstruir” soa como “destruir”.
Pena nem sempre significarem a mesma coisa – porque seria bem mais fácil de aceitar, concretizar, entender, sei lá. Talvez fosse melhor ser implodido, para não ter mais dúvidas se o que ficou é porque é bom ou está para ser derrubado a qualquer momento também.
Mas a desconstrução a qual me refiro não tem por objetivo destruir o alicerce. Não mesmo. Um olhar mais apurado, além dos escombros e poeira, me mostrará que o alicerce sempre foi a única coisa que importou; e que permanece intacto, independente do acabamento.
Por algum motivo associo a desconstrução a algo que estou fazendo. Vejo-me quebrando alguns muros, ventilando locais em que há muito não se sentia uma brisa sequer. Quando penso nisso vejo a cena de um operário arremetendo sua marreta contra uma parede já em decomposição, em slow motion, até que cada estilhaço de concreto seja lançado ao chão.
Mas a verdade é que não estou desconstruindo nada. Se eu for sincero comigo mesmo, vou assumir que EU é que estou sendo desconstruído. A prova disso é que eu não tenho controle sobre aquilo que se esfacela diante de mim. E que aqui dentro, o castelinho feito (cuidadosamente) de cartas de baralho passa por seu pior pesadelo: o vendaval de uma respiração um pouquinho mais forte.
Pobre castelo.
Tao frágil em suas convicções e tão suscetível ao ambiente que o cerca. Penso em quanto trabalho deu empilhar carta por carta, usando meu pouco conhecimento em física (do ensino médio) na tentativa de equilibrar algo que, mesmo não afirmando, dentro de mim já pairava a certeza de sua fragilidade.
Onde isso vai dar? Não faço ideia. Não sei se quero mesmo saber aonde vai dar (e também não tenho raiva de quem sabe), porque isso é algo que não me interessa. Não me interessa porque não vejo a desconstrução de hoje com o olhar de uma vitima do Tsunami, em busca de justiça. Sou parte do processo. Coisa que nunca havia percebido antes das primeiras cartas desabarem. Sempre me vi em um processo, mas hoje é real o entendimento de que se existe um processo, ele ocorre em mim e através de mim para outro alguém. E dessa forma aprendo a confiar mais naquele que um dia começou a obra.
Resumindo, continuo despencando. O que não é de todo ruim, uma vez que no reino em que estou descer é subir, esperar é caminhar. Desacredito de um monte de coisas e a outras dou o privilegio da dúvida, coisa que jamais faria anteriormente. Não me importo se essa desconstrução vai demorar. Perdi o gás de provar para A ou B que tenho que ser alguma coisa em algum prazo específico.
Não tenho chamado para ser Neemias. O máximo que conseguiria era remendar alguns buracos e dar uma aparência de reconstrução. Um castelo mais bonitinho, talvez.
Em alguns anos ou talvez meses, esse texto poderá ser traduzido como uma grande bobagem, uma infantilidade da época. Mas por enquanto, que ele é real para mim, sigo capenga para o Alvo. Deixando pedaços pelo caminho e vendo a cada dia o brotar de novas convicções, diante da única certeza que permanece inabalável durante dezoito anos: que conhecer Deus mediante seu filho Jesus foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida!
F. Sales
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domingo, 8 de janeiro de 2012
Desprendimento
Não lembro o dia exato em que reconheci Jesus Cristo. Sei que alguém vai achar isso um absurdo, mas tudo bem.
Não foi o melhor dia da minha vida.
Não mesmo.
Foi, sim, um dos mais estranhos, ilógicos e constrangedores momentos pelo qual já passei.
Dizer em público que eu o recebia era afirmar que eu nunca o tinha conhecido de verdade, embora soubesse algumas coisas a seu respeito.
Também não me recordo do dia exato em que o conheci. Por baixo, lembro-me do ano e chuto o mês de setembro por causa de alguns cálculos mal elaborados relativos à outras memórias.
O que posso dizer com toda certeza é que foram duas experiências distintas.
A primeira, perante homens, sem entender muito bem o que acontecia, apenas sendo guiado a acreditar que aquilo era o certo a se fazer. Na segunda, sozinho, sentado no sofá com uma bíblia na mão, a certeza invadiu o meu ser.
Naquele dia, sem data e horário registrados na memória, o Seu Espírito confirmou ao meu que eu era aceito, uma vez para sempre, como Seu filho.
As marcas estão na caminhada e não necessariamente no marco zero. As boas recordações estão em inúmeros momentos de leitura, de ansiedade pelo encontro, nas orações fragilizadas de quem está aprendendo a falar com o Pai, na radiante vontade de servir, na alegria de se encontrar companheiros e partilhar a vida com eles.
O que sei é que hoje continuo com a mesma dificuldade com datas, embora as lembranças sejam profundamente atuais. Lembranças de um passado sempre presente, trazidas à memória para dar esperança.
As boas lembranças da caminhada temperam minha esperança.
Além disso, o que faz a caminhada excitante é justamente não se apegar ao que está no caminho. Olhe em sua volta. O que você conseguiu trazer consigo até hoje?
Pessoas, frutos, bons resultados... Tudo isso é inconstante, por vezes imprevisível. As únicas três coisas possíveis de se carregar são a fé, o amor e a esperança.
É disso que se trata o caminho. Desprendimento.
No caminho não há espaço para duas túnicas nem para o pão, porque não há mochila. Não se precisa de cajado de profetas nem dinheiro se faz necessário.
É quase sempre não saber qual é o próximo passo; é não perceber qual é a porta certa e por isso ver a bondade de Deus em fechar a errada.
É não saber todos os porquês. É não ter respostas prontas mediante o sofrimento alheio, mas perceber a voz no subconsciente ensinando preciosas lições nas derrotas.
É sentir-se seguro mesmo sem saber absolutamente nada sobre o dia de amanhã.
É entender que ser filho é ser guiado pelo Espírito.
A caminhada é isso. Ouvir e reconhecer a familiaridade da voz do Bom Pastor e segui-lo.
O resto é aventura.
F. Sales
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Não se iluda
Não se iluda.
Você não pode fazer ninguém crescer. Tão pouco crescer por intermédio de alguém. Retire hoje mesmo esse peso das suas costas e dê sossego a outros também.
Crescimento vem de Deus. Apenas Dele. O máximo que se pode fazer é plantar e regar.
Plantar e regar são uma coisa só perante Deus, mas ainda existem os que se partidarizam, escolhendo o seu lado favorito. Enquanto empregam energia escolhendo entre Paulo e Apolo, faz-se necessário voltarem ao leitinho, recebido antigamente quando ainda eram crianças (e ainda são).
“Sim, vocês são carnais”, afirma o apóstolo, “porque no meio de vocês tem inveja e contenda por causa da explícita preferência por ministros de Deus”.
E você pensando que essa idolatria por homens de Deus era coisa recente...
Desde os tempos apostólicos que uns são de Paulo, outros de Apolo, ainda outros de Cefas e outros de... Cristo?!
Idolatria gospel é mais comum do que se imagina. É aquela pulsão que coloca um ministro de Deus equivalente a Cristo. Estes homens realmente acreditam que são especiais. Acreditam que fazem pessoas crescerem e pior, aceitam ser tratados como tais.
E quanto ao povo? Bem, o povo, como disse o poeta, segue a passos de formiga e sem vontade. Porque basta-lhe as vontades dos tais homens, os sonhos, projetos... e por que não as ambições (divinamente chamadas de vontade de Deus)?
Eu me entristeço pelo meu povo. A cada dia que passa ele busca um messias mais terreno, visível, que construa algo grandioso em sua geração e faz isso com sinceridade de espírito e ignorância teológica. Ao mesmo tempo em que acredita que Jesus pensa como um empreendedor do século XXI, endeusa homens pelos seus dons. Não percebe que é impossível ser de Paulo ou de Apolo sem rebaixar Cristo ao mesmo patamar, colocando um outro fundamento além do que já foi posto.
Não se iluda.
Somos apenas colaboradores, despenseiros. Nenhum maior que o outro. Crescimento vem de Deus. Apenas Dele.
“Por acaso Cristo está dividido?
Foi Paulo que morreu no seu lugar?
Vocês foram batizados em nome de Paulo?”
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Perfil de Três Reis - Capítulo IV
O rei insano percebeu que Davi era uma ameaça ao reino do rei. O rei, ao que parece, não percebia que era a Deus que se devia deixar a decisão acerca de quais eram os reinos que haveriam de sobreviver a que ameaças.Ignorando isso, Saul fez o que todos os reis loucos fazem. Atirou lanças contra Davi.
Podia fazê-lo. Ele era o rei. Os reis podem fazer coisas assim. Quase sempre as fazem. Os reis arrogam a si o direito de atirar lanças. Todo mundo sabe que tais pessoas tem esse direito. Todo mundo sabe muito bem disso. Mas, como sabem? Porque o rei lhes disse muitas, muitas vezes.
Será possível que esse rei louco fosse o verdadeiro rei, o ungido do Senhor?
E o rei do leitor? É ele o ungido do Senhor? Talvez seja. Talvez não. Só Deus sabe.
Se o seu rei é verdadeiramente o ungido do Senhor e se ele também arremessa lanças, então há alguma coisa que você pode saber com segurança:
- O seu rei está completamente louco.
- É um rei segundo a ordem do rei Saul.
Perfil de Três Reis, Gene Edwards, Editora Vida
Uma análise dos personagens Davi novo - Saul velho e Davi velho - Absalão novo.
Uma análise dos personagens Davi novo - Saul velho e Davi velho - Absalão novo.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Perfil de Três Reis – Capítulo III
Davi cantava para o rei insano. Freqüentemente. Parece que a música fazia muito bem ao velho. E quando Davi cantava, todos no castelo paravam nos corredores do palácio do rei e apuravam os ouvidos na direção dos reais aposentos, e ficavam escutando maravilhados. Como teria aquele mocinho adquirido tão maravilhosa perícia na música e na letra?
O cântico preferido de todos era o inspirado pelo cordeirinho. Eles, tanto quanto os anjos, gostavam de ouvir aquele hino.
Entretanto, o rei estava louco e, conseqüentemente, era ciumento. Ou era o contrário? Qualquer que fosse o caso, o rei se sentia ameaçado por Davi, como acontece com freqüência com os reis, quando aparece um jovem popular e promissor. O rei sabia também, tanto quanto o próprio Davi, que esse moço acabaria por ocupar o seu trono, algum dia.
Mas, como chegaria Davi ao trono: pelos meios normais ou pela violência? Era essa uma das coisas que deixavam o rei louco.
Davi sentia-se numa situação realmente muito incômoda: porém, nas circunstancias em que se achava, parece que havia alcançado uma profunda compreensão do desdobramento do drama em que fora envolvido. Parece mesmo que ele havia compreendido alguma coisa que poucos dos mais sábios entre seus contemporâneos haviam notado. Algo que, mesmos nos nossos dias, em que os homens são mais sábios ainda, menos são capazes de compreender.
E que coisa era essa?
Deus não tinha, mas desejava muito possuir, homens que pudessem viver em meio ao sofrimento.
Deus queria um vaso quebrado.
Perfil de Três Reis, Gene Edwards, Editora Vida
Uma análise dos personagens Davi novo - Saul velho e Davi velho - Absalão novo.
Uma análise dos personagens Davi novo - Saul velho e Davi velho - Absalão novo.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Um Pouco de Paciência
Paciência.
Paciência até que o Rei chegue.
Observe como um agricultor se comporta. Ele semeia e consegue esperar com paciência que a terra o retribua com boas plantações. Ele aguarda as chuvas de outono; aguarda também às da primavera.
Então sejam pacientes.
Ah, fortaleçam seus corações também, porque o Rei está chegando.
Será muito bom que um pare de reclamar do outro. Se isso continuar, ambos serão julgados pelo Juiz que, diga-se de passagem, já está chegando.
Ao invés disso, vamos olhar para os profetas que falaram em nome do Senhor. Vocês sabem que nós os temos como bons exemplos de pessoas que exerceram a paciência durante períodos de sofrimento.
Porque para nós, os que mostraram perseverança são os verdadeiros felizardos!
Mas lembrem-se da paciência de Jó! Vocês se lembram do fim que Deus lhe proporcionou. De fato, Deus tem muita compaixão e misericórdia.
Tiago 5:7-10 em outras palavras.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Manter Viva a Esperança
É sempre bom nos lembrarmos de como as coisas aconteceram, para mantermos viva a esperança pela qual fomos chamados!
***
Todos os dias os sacerdotes se apresentavam e ofereciam os mesmos sacrifícios pelos pecados.
Os pecados subiam a Deus como um constante memorial negativo e os sacrifícios como uma espécie de retratação pelos erros.
Infelizmente nenhum desses sacrifícios tirava, efetivamente, o PODER do pecado. Apenas justificava a tentativa de amenizar os erros cometidos.
A verdade é que Deus nunca engoliu essa idéia de oferta e sacrifícios pelo pecado. Nunca houve prazer no Eterno em receber tais oblações. Tudo sempre foi circunstancial, para amenizar a situação caótica da desobediência.
Por isso, quando Jesus veio ao mundo testificou dizendo que nenhum sacrifício na época da lei agradou a Deus, mas para o Filho, o Pai preparou um corpo, para que Este fosse a Palavra encarnada, andando e tocando nas pessoas, tornando-se também um sacerdote que ofereceria sacrifício perfeito pela expiação do pecado.
Deus não sacrificou seu Filho, da mesma forma que não permitiu que Abraão sacrificasse o seu. Ele deu um corpo à Ele, para que dessa forma Jesus se tornasse um sacerdote e escolhesse se entregar. A sua vida ninguém tira, Ele a entrega.
Aqui estou – diz Ele – para fazer a Sua vontade. O livro testifica de mim.
O perfeito sacrifício!
Anulou-se tudo o que foi feito antes Dele. O segundo substitui o primeiro, e se torna perfeito para o Pai, de uma vez por todas!
Ele agora se encontra assentado ao lado do seu Pai, esperando seus inimigos serem colocados debaixo dos Seus pés.
Não somente isso. Esse sacrifício aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados, de uma forma que ninguém poderia ser aperfeiçoado por humildade, obras ou posicionamentos.
Porque a perfeição nada mais é do que a recolocação daquilo que havia sido criado em seu devido lugar. Por causa de Cristo, o homem é recolocado em Deus.
Agora o Espírito Santo testifica a cada um de nós, que as leis que antes habitavam dentro da arca e eram escritas em pedra passam a morar em nossos corações e circunscritas em nossas mentes.
E dos pecados já não há mais lembrança, citação, circunstância ou escrito de dívida perante o Altíssimo!
Mas se nós continuarmos a pecar deliberadamente depois de conhecer a Verdade, haverá em nós a terrível sensação do juízo que se aproxima e do fogo que consumirá os inimigos de Deus. Mas nunca mais poderá ser oferecido ou feito nada para amenizar pecados. Nunca mais! O problema do pecado foi encerrado na cruz.
Se pecarmos, temos um Advogado. Nada de prometer mudar, tentar consertar com ativismo ou auto-punição. Basta falar com Ele. Mas lembre-se que o Caminho é aberto, mas não irrelevante. Há mais punição para os que morrerem no pecado após Seu sacrifício do que para os que pereceram em seus pecados na época da lei.
Por isso, lembremo-nos dos primeiros dias de convertidos, dos dias de ouro onde a pulsão por Deus era tão forte que nada mais importava.
Foram dias onde suportamos tanta coisa...
Cada um de nós, dentro de nossas realidades, suportou tantas coisas... Perseguições, piadas, abandonos, invejosos, brutalidades. Alguns aceitaram até mesmo o confisco dos próprios bens, sabendo que possuíam bens superiores e permanentes.
Dias maus, vencidos pela perseverança.
Não abra mão da confiança que você tem; ela será ricamente recompensada!
Persevere, porque nessa vida o que vale é fazer a vontade de Deus. E depois de tê-la feito, você alcançará o que Ele prometeu: a vida eterna!
Pois em breve, muito em breve, Aquele que há de vir virá, sem demora.
Quanto a nós, que somos chamados de Seus justos (devidamente justificados em Cristo), é-nos imputado o viver pela fé, acreditando em Sua existência e benevolência em nos presentear por buscá-lo.
Retroceder é o primeiro sintoma de uma destruição que não tardará, mas crer conserva a alma.
***
Essa é a história do amor de Deus encarnado, destruindo de uma vez por todas o muro que separava Pai e filhos, trazendo a esperança de um reencontro eterno, entre Criador e criatura, onde o veremos como Ele é e seremos semelhantes a Ele.
Maranata!
Baseado em Hebreus 10
F. Sales
sexta-feira, 10 de junho de 2011
A Sabedoria é Justificada pelas Obras - Jesus Cristo
Madre Tereza de Calcutá.
Uma das mulheres mais sábias da história.
Nunca conseguiu acabar com o problema da fome mundial, porque seu inimigo nunca foi a miséria. Seu inimigo era a indiferença.
Embora tenha colocado comida sobre incontáveis mesas, nutrido famílias a beira da desnutrição e repartido o que quase não se existia com mais cinco ou seis, estava longe de ser “pão” a principal doação dela.
Olhando bem, ela nunca deu pão aos pobres. Deu alento. Em não poucas situações a comida era insuficiente ao grupo reunido, mas ali cada um aprendia a repartir, solidarizando-se com a dor do próximo e a satisfazer a necessidade momentânea de alimento com a alegria de ver bem quem estava ao lado.
Tornou-se uma das poucas coisas que fazem dos homens seres eternos nesta vida: um símbolo. Exemplo a ser seguido.
Não é interessante que a sabedoria seja justificada pelas obras? O tempo todo a gente pressupõe que sábio é aquele que carrega nos lábios a frase feita, bem feita ou de efeito.
Mas se por um lado a sabedoria é justificada pelas obras, por outro, não se pode afirmar que a falta de obras acarrete em falta de sabedoria necessariamente, porque existem muitas obras que denotam total falta de sabedoria, servindo apenas de muleta para mentes mumificadas pela religião.
Quem se apega ao que faz para provar que possui entendimento acaba caindo numa daquelas rodinhas onde os hamsters são colocados. Ainda que haja uma sensação de caminhada, não sai do lugar.
Feliz é o que faz por saber que é o certo a se fazer. Este é bem aventurado, porque seus atos falarão mais do que suas palavras, possivelmente por outras gerações.
F. Sales
10/06/11
terça-feira, 24 de maio de 2011
O Grito Evangélico e a Voz do que Clama no Deserto
Ao calor do sol não há nada de novo. A exemplo do que antes foi, hoje também existem pessoas semelhantes a João Batista. Elas se fazem necessárias porquanto sempre haverá Herodes e Herodias.
Herodes é símbolo de um poder autoritário, que manda e desmanda em benefício apenas do próprio umbigo, enquanto Herodias representa, com toques teatrais, uma classe da sociedade que sussurra aos ouvidos do Tetrarca sobre tudo o que este deve fazer e em especial, a respeito dos seus interesses. Dois atores na melindrosa dramaturgia real de nosso país.
Dessa forma Herodes é apenas a fachada de uma autoridade há muito destituída, que mantém pose e postura. É o famoso pau mandado, acenando e interpretando enquanto sua mulher, diga-se de passagem que era esposa de outro, dita as regras do jogo.
Que governo e governantes mantêm fornicações não é filme inédito. Mas quem dera a depravação permanecesse apenas em família. O que acontece, entretanto, é o alongamento das sandices herodianas por todos os lugares onde estes metem o bedelho.
Mas graças a Deus que ainda existe João Batista atormentando o sossego do Poder e da Classe que operam na surdina, aprovando e desaprovando na calada da noite, fora dos holofotes.
Resta a João Batista nos dias de hoje ser o que nasceu para ser: a voz! Se cada um desejar ser apenas mais um eco da voz, da voz que diz “endireitai os caminhos no deserto”, sim, NO DESERTO, porque nos palácios há coceira nos ouvidos tamanha que a maioria acha melhor se fingir de surdo, aí sim, essa voz se fará audível e incômoda até nas recâmaras dos que governam.
O grito evangélico será ouvido no dia 1º de junho. Podem ignorar ou entremear falsas notas, mas ouvirão.
Torço para que o grito não seja institucional. Torço para que não haja disputas internas de poder e acima de tudo torço para que, assim como foi em volta de Jericó, a força não esteja no grito, mas na causa.
Manifestemo-nos, mas sem esquecermos do clamor. Do clamor que acontece no deserto mesmo. Porque é o deserto que precisa ser modificado. Pare de desejar habitar nos palácios e pense um pouco no deserto. Construa no deserto a estrada reta, porque o Senhor está vindo. E quando Ele chegar, não haverá mais vales nem montanhas. Tudo será aplanado. Uma coisa só, diante dos olhos que tudo veem.
Uma voz ordena: "Clame". E eu pergunto: "O que clamarei?" "Que toda a humanidade é como a relva, e toda a sua glória como as flores do campo. - Is 40:6
Dizer que somos como relva é afirmar o quão passageira é essa vida. É dizer: Herodes, você não é eterno! Sua ascensão é igual o aflorar de um jardim e quando você menos esperar estará prestando contas a Deus.
A voz precisa ecoar.
Mesmo que nos custe a cabeça.
F. Sales,
em 20.05.11, uma sexta-feira chuvosa, um dia antes do "fim do mundo".
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
Segunda, Terceira e Quarta Chance...
“As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição;”
Hebreus 11:35
Segunda chance.
Que sensação de paz ao saber que será possível refazer alguma coisa antes mal feita. Reconstruir relacionamentos, revitalizar sonhos, passar Vodol em antigas certezas e pavimentá-las novamente sobre as incertas estradas da vida.
Fico imaginando uma mulher que ouve os rangidos da porta ou a voz de alguém que há muito não estava mais neste mundo, no melhor estilo “Deve ser o seu anjo”, de Atos 12:15., e se depara com um ente querido.
O susto, o pânico, as lágrimas e o abraço.
Só quem já perdeu alguém sabe o que significaria uma segunda oportunidade de reencontro. Para ela uma festa precisava ser feita, mas para alguns dos que acabaram de chegar do seol, aceitar aquele livramento era demais.
Não há detalhes, apenas se diz que as mulheres receberam os seus mortos.
Não tenho noção do que seja isso. Não nesse nível. Mas sei daquilo que já vivi e posso dizer que quem experimenta algo de natureza espiritual não se conforma mais com o natural. Quem prova do sabor da graça, do pão da vida, da água que sacia a sede da alma e do enchimento do espírito pelo Espírito, constata efêmeras todas as outras coisas no grau de satisfação.
Pode andar moribundo, experimentando cheiros e sabores, mas sempre saberá em sua alma que não é aquilo que precisa, procura, deseja...
Quem experimenta algo de cunho celeste percebe-se eterno, mero estrangeiro na terra dos viventes. Esforça-se para buscar as coisas do alto mesmo sabendo que duas leis operam dentro de seu ser.
Quanto ao “ex-morto”, não sabemos bem se voltar ao seu antigo corpo foi para ele foi uma segunda chance. Tornou-se inaceitável a vivência a não ser por meio de torturas e humilhações, para que sua ressurreição fosse... melhor.
Os heróis da fé de Hebreus abriram mão de tudo por uma boa ressurreição. Imagina então este homem que provou dela e se viu obrigado a voltar.
Talvez seja um pouco dessa sensação que Deus queira nos fazer sentir quando nos proporciona uma experiência com Ele. Passo a passo, dia após dia e de glória em glória, até que um dia estejamos com Ele, vendo-o como Ele é e tornando-nos semelhantes a Ele.
Até lá, valho-me de uma segunda, terceira ou quantas chances Ele me der de ser perdoado e de me aproximar do Eterno.
F. Sales
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
Vida Dura Sim, Mas Real
F. Sales
A vida é dura, mas difícil mesmo é a vida nas novelas.
Imagina o que é saber que seu grande amor se separará de você por causa de alguém sempre invejoso e capaz das maiores tramóias para separá-los.
Como se isso não bastasse, o cara perderá também a dignidade e passará quase toda sua vida dramatúrgica tentando provar sua inocência.
Mas o pior de tudo é saber que só curtirá seu grande amor durante o último capítulo. E olhe lá, porque quase sempre o beijo é interrompido por uma passagem de tempo do tipo seis meses depois... Quando não, dois anos depois, para justificar o aparecimento de uma família robusta, sólida, com filhos lindos e sadios.
Os últimos capítulos de uma novela são realmente quentes! Prova disso é que todas as mulheres que não engravidaram durante os quase duzentos capítulos, enjoam, vomitam e aparecem com barriga na última semana.
A gente se contenta com um beijo no final, uma notícia da chegada de um bebê ou qualquer outra cena corrida e resumida de último capítulo. A gente aceita, meio resmungando, que o assassino seja o óbvio ou aquele em quem nunca pensaríamos.
A gente consente até mesmo que personagens como o André, vivido pelo Lázaro Ramos em Insensato Coração , tenha um final feliz. Apesar de merecer terminar aidético numa cama (não é isso que a novela faz? Aborda temas polêmicos da sociedade?).
Só há uma coisa inaceitável.
Que o castigo do vilão não seja o merecido!
Se tem uma coisa que tira do sério o brasileiro e faz com que toda a obra seja considerada uma porcaria é uma morte no lugar de uma merecida cadeia! Isso vale para o surto de insanidade que só aflora no último capítulo também.
A vida real é dura porque tudo o que nós não queremos é ser felizes somente no último momento. Lutamos muito para encontrar e manter o verdadeiro amor. Torcemos diariamente para os vilões da existência serem envergonhados, atropelados, mutilados e decepados o quanto antes. Queremos nos ver livres e vencedores já no presente, no máximo no próximo capítulo.
Vida dura sim, mas real! Porque a realeza está nos bons momentos em que passamos com quem amamos e em saborearmos os frutos de nossos trabalhos. Basta isso para que cada reino seja encantado e cada família real.
Da vida nas novelas, fico apenas com o Google deles. Com um clique eles realmente acham tudo! Tudo mesmo!
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